O velocímetro da sua bicicleta, o sensor que avisa que a porta da geladeira ficou aberta, a contagem de voltas de um motor: em todos existe um componente que enxerga campo magnético sem encostar em nada.

É o sensor de efeito Hall. Sem contato, sem desgaste, sem peça móvel — e é por isso que dura praticamente para sempre.

Neste guia você vai entender o princípio, escolher entre linear e digital, e descobrir por que o seu ímã pode não funcionar mesmo estando certo.

💡 Salve este guia: a parte de polaridade do ímã resolve o problema mais frustrante com esse sensor.

🧲 O efeito Hall em uma frase

Quando uma corrente elétrica atravessa uma plaquinha condutora e um campo magnético incide perpendicular a ela, os elétrons são empurrados para um dos lados. Isso cria uma pequena diferença de tensão entre as bordas — a tensão Hall.

Essa tensão é proporcional à intensidade do campo. O sensor amplifica esse valor minúsculo e entrega algo que o Arduino consegue ler.

🔎 Descoberto em 1879 por Edwin Hall, muito antes de existir eletrônica para aproveitá-lo. Hoje está em quase todo motor sem escovas.

🔀 Linear x digital: escolha certa

Linear (ex.: S49E)
  • Saída analógica
  • Informa a intensidade do campo
  • Mede distância do ímã
  • Corrente sem contato, posição
Digital (ex.: A3144)
  • Saída liga/desliga
  • Informa presença do ímã
  • Tem histerese interna
  • Contagem de voltas, fim de curso

Existe ainda o tipo latch: liga com um polo do ímã e só desliga quando o polo oposto passa. É o que se usa dentro de motores brushless para saber a posição do rotor.

🧭 Polaridade: o detalhe que trava todo mundo

O sensor Hall digital comum responde a um polo só. Se você aproximar o lado errado do ímã, não acontece nada — e a conclusão natural, errada, é que o sensor está queimado.

⛔ Antes de trocar o sensor, vire o ímã. Na esmagadora maioria dos casos é isso. O A3144 responde ao polo sul voltado para a face marcada do componente.

Além do polo, importa a face: o sensor tem um lado chanfrado e um lado plano, e o campo precisa vir na direção certa. Aproximar pela lateral costuma não funcionar.

🔌 Coletor aberto: o resistor obrigatório

O A3144 e a maioria dos Hall digitais têm saída em coletor aberto. Isso significa que ele só consegue puxar a saída para o GND — ele não consegue colocá-la em nível alto sozinho.

Sem um pull-up, a saída fica flutuando quando não há ímã, e a leitura vira ruído. Use o INPUT_PULLUP do Arduino ou um resistor de 10 kΩ para o VCC.

🧮 Exemplo prático: medindo RPM

📖 Tacômetro com um ímã

1) Montagem: um ímã colado no eixo que gira, o sensor fixo a poucos milímetros dele.

2) Contagem: cada volta completa gera um pulso.

3) Leitura: use attachInterrupt — assim nenhum pulso se perde, mesmo em rotação alta.

4) Janela: conte os pulsos durante 1 segundo.

5) Conta: pulsos por segundo × 60 = RPM.

6) Mais resolução: com 2 ímãs opostos, divida o resultado por 2.

30 pulsos em 1 s = 1.800 RPM

📏 Distância de atuação

A distância em que o sensor detecta depende da força do ímã, não do sensor. Com um ímã de neodímio pequeno, espere de 3 a 10 mm. Com ímã de ferrite comum, bem menos.

  • Ímã maior e mais forte → maior distância de detecção.
  • Aproxime pela face correta, não pela lateral.
  • Metal ferroso por perto distorce o campo e reduz o alcance.
  • Se a leitura falha em rotação alta, o ímã está passando rápido demais — aproxime-o.

🎯 Onde usar

  • Velocímetro de bicicleta e tacômetro.
  • Contagem de voltas em motor e esteira.
  • Fim de curso sem contato em máquina.
  • Detecção de porta e tampa aberta.
  • Comutação de motor brushless.

🛠️ Problemas comuns

SintomaCausa provávelSolução
Não detecta o ímãPolaridade invertidaVire o ímã antes de qualquer coisa
Saída sempre oscilandoFalta pull-upINPUT_PULLUP ou 10 kΩ ao VCC
Detecta só muito pertoÍmã fracoUse neodímio
Perde pulsos em alta rotaçãoLeitura dentro do loopUse interrupção
Fica ligado depois que o ímã saiSensor tipo latchTroque por um unipolar ou use o polo oposto
QueimouPinagem trocadaConfira: VCC, GND e saída — não é a ordem intuitiva
🛒 Na Mamute tem o Hall linear S49E, o módulo digital KY-003 e as placas para montar o tacômetro.

🚀 Conclusão

O sensor Hall entrega detecção sem contato e sem desgaste, o que nenhuma chave mecânica consegue.

Duas regras salvam qualquer projeto: confira a polaridade do ímã antes de suspeitar do sensor, e não esqueça o pull-up na saída.

Vai contar as voltas de quê? Conta aí! 🦣⚡

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Para montar o que você acabou de ler

O KY-003 é a versão digital, em módulo, para quem só quer detectar o ímã.